sexta-feira, 12 de maio de 2017


(Realizando o Baai Si na Cerimônia de 26 de Maio de 2007 , 
observado por meu Si Fu  ,  Si Mo e minha Gaai Siu Yan Ursula Lima) 

(My Baai Si Ceremony in 2007 watched by Si Mo, Si Fu and Si Suk Ursula)

O "Baai Si" é um ato cerimonial muito comum no "Mo Lam" , mas restrito à poucos que são convidados e dentre estes, aqueles que conseguem chegar a realizar a Cerimônia.
Neste mês completam-se dez anos em que foi realizado meu Baai Si . Exatamente no dia 26 de Maio, estarei em minha primeira viagem internacional com meu Mestre Julio Camacho para um tour pela Europa com práticas e palestras no roteiro.Este será um momento muito especial, pois estarei superando meus limites mais uma vez ao fazer essa viagem. E com meu Baai Si não foi diferente...

The "Baai Si" is a very common ceremonial inside "Mo Lam", but restricted to the few that are invited and among these, those who manage to reach the Ceremony.
This month was completed ten years in which my Baai Si was held. Exactly on next May 26  I will be with Si Fu in my first international trip with  for a tour in Europe with practices and lectures . This will be a very special moment, to exceed my limits once again to  make this trip. And with my Baai Si , it was no different ...
(Porta do salão)
(Baai Si's hall door)

Segundo meu Si Gung, Si Taai Gung Moy Yat dizia que “um bom dai ji deve antes de tudo respeitar seu Si fu, cuidar dele e aprender bem a arte. Assim, ele poderá ajudá-lo a desenvolver o sistema e fazer com que a família prospere”.
Recebi meu convite para "Baai Si" em Março de 2007, e naqueles tempos me foi dito, que era adequado usar uma roupa nova no dia da Cerimônia a fim de que se trouxesse o símbolo de "renovoação".  Como sempre fazia , levei ao pé da letra e junto de um esforço de minha mãe, comprei um terno cinza com uma blusa azul e uma gravata azul clara. Resolvi que seria bom também raspar a cabeça, porque eu queria que as pessoas me olhassem e pensassem: "Ei! Esse cara levou isso a sério!".  Mas veja: Uma grande lição passara despercebida por mim naquele Maio de 2007...

According to my Si Gung, Si Taai Gung Moy Yat said that "a good Dai Ji must first of all respect his Si Fu, take care of him and learn the art well. So he can help him to develop the system and make the family prosper. "
I received my invitation to "Baai Si" in March 2007, and in those days I was told that it was appropriate to wear a new outfit on the day of the Ceremony in order to bring the symbol of "renovotion". As I always did, I took literally, and with an effort of my mother, I bought a gray suit with a blue blouse and a light blue tie. I decided it would be good to shave my head too, because I wanted people to look at me and think:  "Hey, this guy took it seriously!" But look: A great lesson had gone unnoticed by me in May 2007 ...

 (Após entregar o Hung Baau do Si Fu)
(After giving the Hung Baau to Si Fu)

Pouca gente sabe, mas naquela Cerimônia , não deveriam estar apenas : Eu, Vladimir Anchieta, Xenia D'avila, Paula Gama e Thiago Silva. Um outro irmão Kung Fu havia sido convidado mas de repente sumiu. Ele me era muito caro e muito querido por Si Fu também. Este me incumbiu de uma missão : "Thiago, ache ele e converse com ele. Veja o que está acontecendo, e se achar que é válido diga que se ele aparecer na hora da Cerimônia, ele poderá fazer o Baai Si. Vou esperá-lo até a última hora." - Dava para ver que Si Fu queria muito que este meu Si Dai fizesse o Baai Si, mas existe um cerne ético no Mo Lam que é a relação "Si Fu - To Dai" e um Si Fu não pode quebrar essa ética. Ele não pode ser "menos Si Fu" de alguém que não goste ou "Mais Si Fu" de alguém que goste. Por isso ele me pediu, ainda que eu soubesse , que ele teria mais condições de fazê-lo do que eu.
Demorei uma semana para conseguir encontrar esse Si Dai. Mesmo deixando uma carta escrita a mão com sua mãe ele não me procurou. Finalmente no Domingo dia 20 encontrei ele em seu trabalho. Sentamos numa mureta e ele finalmente pôde falar tudo que estava sentindo. Para mim foi muito duro ouvir aquelas palavras mas as gravei com exatidão e as transmiti ao Si Fu. E esse Si Dai nunca mais foi visto no "Mo Lam"...

Few people know, but at that Ceremony, should not only be: I, Vladimir Anchieta, Xenia D'avila, Paula Gama and Thiago Silva. Another Kung Fu brother had been invited but suddenly disappeared. He was very dear to me and very dear to Si Fu too. Si Fu entrusted me with a mission: "Thiago, find him and talk to him. See what's happening, and if you think it's valid say that if he shows up at the time of the Ceremony, he can do Baai Si. Until the last hour. " - You could see that Si Fu really wanted my Si Dai to do Baai Si, but there is an ethical core in Mo Lam that is the relation "Si Fu - To Dai" and a Si Fu can not break that ethic. He can not be "less Si Fu" of someone he does not like or "More Si Fu" of someone he enjoy. So he asked me, even though I knew , that he would be better able to do it than I was.
It took me a week to find this Si Dai. Even leaving a handwritten letter with his mother he did not look for me. Finally on Sunday the 20th I met him at his work. We sat down and he could finally tell me everything he was feeling. It was very hard for me to hear those words but I recorded them accurately and transmitted them to Si Fu. And this Si Dai was never seen in Mo Lam again ...

(Em 2003 eu era bem chato, mas Si Fu sabia me fazer rir.)
(In 2003, I was a very annoying guy, but Si Fu knew how to make me laugh)

Eu não entendi que "renovar" ou "Mudar" era mais do que a roupa que estava vestindo ou os cabelos que raspei. Era um preparo para mudar internamente. Eu que gostava tanto do Si Fu desde sempre, mergulhei de cabeça no processo do "Baai Si" e fui além dos meus limites para fazê-lo. Com isso , não tive tempo de apreciar aquele caminho. E muitas das mudanças que precisei passar, vieram após o "Baai Si". Mas como diria minha "Gaai Siu Yan" Si Suk Ursula Lima em meados dos anos 2000 para mim: "Eu não troco minha história pela de ninguém".
Talvez meu irmão Kung Fu só não estivesse pronto para mudar, mas nunca saberemos até que um dia ele volte.

I did not understand that "renovating" or "changing" was more than the clothes I was wearing or the hair I shaved. It was a preparation to change internally. I, who have always liked Si Fu so much, have gone deep into the "Baai Si" process and went beyond my limits to do so. With that, I did not have time to enjoy that path. And many of the changes I had to go through came after Baai Si. But as my "Gaai Siu Yan" Si Suk Ursula Lima would say in the mid-2000s to me: "I do not change my story for anyone."
Maybe my Kung Fu
brother just was not ready to change, but we'll never know until one day he comes back.
(Si Fu apóia meu trabalho em 2008 no Méier quando começamos na cozinha de uma casa.)
(Si Fu supporting my early work in Méier wild neighborhood . We started in house´s kitchen)

Numa palestra sobre o "Baai Si", em 1997, Patriarca Moy Yat afirmou que nos seus tempos de estudante, ele cuidava de seu Si Fu, o Patriarca Ip Man tão bem como seus próprios filhos. Tudo que seu mestre pedia, ele dava o melhor de si para conseguir. Se havia alguma coisa que ele não conseguia fazer, buscava um amigo ou alguém que soubesse como fazê-la. Mesmo que ele não soubesse, dava um jeito de conseguir. Ele nunca chegou para seu Si Fu e disse “desculpe, mas não sei fazer isso”.
Eu não consegui ser assim nesses dez anos, deixei muitos furos com meu Si Fu . Mas tantos outros eu não deixei. Um deles, em especial, veio de um dia em que reclamei com ele sobre algo que tinha me acometido na Família. Era como se estivesse culpando-o. Depois de uma emocionante conversa, Si Fu disse seriamente: "Eu não vou ser o elo fraco da corrente". - Se referindo a nossa Linhagem .
Por isso, à frente do Núcleo Méier, que até este ano foi o único Nùcleo de Décima Segunda Geração do Mundo do Grande Clã Moy Yat Sang, não me permiti perder o foco. Não era apenas sobre mim, e sim, sobre o trabalho da vida de um homem. Si Fu nunca me pediu para pensar dessa forma, mas eu me apropriei dessa responsabilidade e fico feliz de tê-lo feito.

In a lecture on "Baai Si" in 1997, Patriarch Moy Yat stated that in his student days, he looked after his Si Fu, the Patriarch Ip Man as well as his own children. Whatever his master asked, he did his best to succeed. If there was anything he could not do, he was looking for a friend or someone who knew how to do it. Even if he did not know, he could find a way. He never came to his Si Fu and said "sorry, but I do not know how to do it".
I have not been able to be that way in ten years, I left many holes with my Si Fu. But so many others I did not leave. One of them, in particular, came from a day when I complained to him about something that had affected me. It was as if I was blaming him. After an conversation, Si Fu said seriously, "I will not be the weak link in the chain." - By referring to our lineage.
Therefore, ahead of the Méier School, which until this year was the only School of the Twelfth Generation of the World of the Great Clan Moy Yat Sang, I did not allow myself to lose focus. It was not just about me, it was about the work of a man's life. Si Fu never asked me to think that way, but I took ownership of that responsibility and I'm glad I did.

(Si Taai, Si Fu e Si Gung em uma inauguração de um dos Núcleos do Si Fu)
(Si Taai, Si Fu and Si gung during a grand-openning of one of his formers Mo Gun)

 Sobre isso, meu Si Gung Leo Imamura teria falado: "Por isso, ambas as partes têm muita responsabilidade para honrar os ancestrais. A parte do Si Fu é a mais difícil, pois ele precisa saber como levar um dai ji a desenvolver seu kung fu, através de ações apropriadas para cada momento. Chamamos isso de Vida Kung Fu (sam faat). Para o discípulo não tem só que respeitar o Si Fu, mas dedicar-se a compreender a "Perspectiva Kung Fu". Posteriormente, o dai ji poderá ajudar o si fu a preservar o sistema (hai tung) e desenvolvê-lo. Com isso, a família kung fu poderá crescer de maneira sustentável e o sistema poderá ser transmitido para as pessoas certas."

On this, my Si Gung Leo Imamura would have said: "Therefore, both parties have a lot of responsibility to honor the ancestors. Si Fu's part is the most difficult, because he needs to know how to lead the student to develop his kung fu , By means of appropriate actions for each moment.We call this Kung Fu Life (sam faat) For the disciple not only have to respect the Si Fu, but to devote himself to understanding the "Kung Fu Perspective." Subsequently, dai ji Can help the Si Fu to preserve and develop the system (hai tung) and develop it. With this, the kung fu family can grow in a sustainable way and the system can be passed on to the right people. "
(Com a querida e inesquecível irmã Kung Fu Paula Gama. 
E meu querido irmão e um dos meus melhores amigos, Vladimir Anchieta antes de nosso Baai Si)

(With my beloved sis Paula Gama and my beloved brother Vlad Anchieta , before our Baai Si)

Nesses dez anos, não me contentei em ser apenas um cara que fez o "Baai Si" e sumiu ou que até ficou, mas apenas constando. De forma alguma , procurei ser o "Número 1". Ser o discípulo número 2 para mim foi perfeito : Eu tinha a antiguidade necessária para mobilizar pessoas e não precisava aparecer pois meu Si Hing é mais antigo do que eu. Assim, por vezes de forma bem feita, e em muitas outras , atrapalhadas, rs , sempre busquei dar o meu melhor pelo Si Fu. Ainda que em muitas oportunidades tenha questionado suas ações, nunca deixei de segui-las. Sempre imaginava que ele me surpreenderia no final, e quando isso não acontecia, apenas lembrava do quanto gosto dele e seguíamos em frente.

In those ten years, I did not content myself to be just a guy who did the "Baai Si" and disappeared or even stayed, but only recorded.   I didnt try to be "Number 1". Being the disciple number 2 for me was perfect: I had the antiquity necessary to mobilize people and did not need to appear because my Si Hing is older than me. So, sometimes in a well-made way, and in many others, clumsy, lol, I always tried to give my best for Si Fu. Although many times I questioned his actions, I never stopped following him. I always imagined that he would surprise me in the end, and when that did not happen, I just remembered how much I liked him and moved on.
(Aqui levei em 2011 Jade e Julia, filhas de Si Fu ao McDonald's escondido em 2011 antes de deixá-las em sua antiga casa. Laurien Jabour, filha de meu Si Dai, estava junto)

(Here I took in 2011 hidden from Si Fu , Jade and Julia tot he McDonald´s before let them at their former home. Laurien Jabour, daughter of a Si Dai, was there too.)

Quando a jade começou a praticar sob meus cuidados no Méier foi uma grande honra. Certa vez fiz uma pergunta inocente ao Si Fu: "Si Fu, sou Si Hing da Jade, mas ela também é sua filha. Se sairmos para comer, eu pago a dela? Ou deixo ela pagar a minha conta?"  - Me disseram uma vez que um bom discípulo aprende com o Si Fu mesmo quando ele não pretendia transmitir nada. Eu lembro do Si Fu a cada hora do dia, isso porque, sei que o "cérebro" dele está disponível para que eu o use além do meu, ainda que nem sempre o faç Mas veja, mesmo quanto estou com a Jade e a Julia eu acabo aprendendo: Por vezes , em meio ao prazer de estar com elas, me vinha ao coração uma tristeza muito grande quando lembrava da minha própria irmã e de sua condição. E isso , até hoje, ainda me faz resignificar essa relação .

When Jade began to practice under my care at the Meier School, it was a great honor. I once asked an innocent question to Si Fu: "Si Fu, I am Si Hing of Jade, but she is also your daughter.If we go out to eat, will I pay for her, or do I let her pay my bill?
I was told once that a good disciple learns from Si Fu even when he did not intend to transmit anything. I remember Si Fu every hour of the day, that's because, I know his "brain" is available for me to use besides mine, although I do not always do it  But see, even though I'm with Jade And  Julia I learn: Sometimes, in the midst of the pleasure of being with them, a great sadness came to my heart when I remembered my own sister and her condition. And that, to this day, still makes me resignify this relationship.
(Foto dos primeiros discípulos do Clã Moy Jo Lei Ou)
(Photo of the first disciples of Moy Jo Lei Ou Clan)

As vezes Si Fu me pergunta ou a alguém se sabemos dizer o que muda de fato quando a pessoa se torna um discípulo. Ficamos em silêncio para que ele complete seu raciocínio . Porém, eu nunca mais me senti o mesmo desde aquele dia dez anos atrás. Passei a partir dali a acreditar que sempre teria alguém em quem pudesse confiar e que mesmo que o mundo desabasse em minha cabeça, como de fato desabou algumas vezes, ele ainda estaria lá. E para que eu pudesse usar dessa relação sem peso na consciência, procurei sempre não medir esforços, sempre que os media, dava um passo medroso atrás. E Si Fu foi paciente , e ainda tem sido, para que eu me desenvolva as vezes ao meu tempo, as vezes ao tempo que a Família precisa.

Sometimes Si Fu asks me or someone if we can say what really changes when the person becomes a disciple. We are silent for him to complete his reasoning. But I never felt the same since that day ten years ago. I went from there to believe that there would always be someone I could trust and that even if the world collapsed in my head, as it actually collapsed a few times, he would still be there. And so that I could use this relationship without weight in the conscience, I always tried not to measure efforts, whenever the media, took a step fearful behind. And Si Fu has been patient, and still has been, so that I develop sometimes in my time, sometimes at the time the Family needs.
(Si Fu )

Dez anos depois, e o sentimento de mergulhar de cabeça ainda é o mesmo. O sentimento pelo Si Fu também. Por isso, acredito que nunca tenha me afastado. Nem fisicamente, nem de coração.

Ten years later, and the feeling of going deeper and deeper is still the same. The feeling for Si Fu too. So I do think this is the reason why I've ever walked away. Neither physically nor from the heart.

The Disicple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"