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[詠春武林中外]

segunda-feira, 3 de março de 2025

SENIOR MASTER PAULO CAMIZ'S BIRTHDAY CELEBRATION IN SAO PAULO

Você pode me ver ali de pé, com os braços cruzados, eu sou o quinto da esquerda para a direita. Sentados, estão meu Si Fu e meu Si Gung. Essa foto marcou o encerramento de um seminário de titulação tutorial para o Domínio Siu Nim Tau, mas nesse período, em 2004, muitos dos Mestres do Rio de Janeiro, como Mestra Ursula, Mestre Diego, Mestre Felipe, ainda não haviam sido titulados. Além disso, outros profissionais estavam afastados da organização e da Família Kung Fu. Com isso, a Família Moy Jo Lei Ou era predominante e dividia espaço absoluto com a Família Moy Yat Sang.
Ao longo dos anos, em diferentes momentos, meu Si Fu me chamou a atenção para um suposto traço meu de formar subgrupos dentro da Família Kung Fu. Em outras oportunidades, quando era necessário organizar um evento e eu tomava a frente — principalmente depois que os membros da Família Moy Yat Sang começaram a seguir seus próprios caminhos — eu me encarregava dessa responsabilidade. Em um primeiro momento, reclamava que ninguém se apresentava para ajudar. Mais tarde, quando alguns irmãos Kung Fu, como Carlos Antunes e Thiago Silva, passaram a colaborar, eu acabava fechando um grupo pequeno. Finalmente, em um terceiro momento, quando me vi novamente à frente — seja por antiguidade ou pró-atividade —, preferia fazer tudo sozinho, acreditando que os demais poderiam promover certa lentidão no que eu achava que poderia ser feito mais rapidamente.
No entanto, hoje percebo que, muito mais do que o meu suposto individualismo ou a mania de formar subgrupos dentro da Família, o verdadeiro problema foi que o Provimento de Vida Kung Fu não era priorizado. A prioridade era entregar o evento, e essa falta de entendimento cobrou um preço alto.
 
You can see me standing there, arms crossed, in the fifth position from left to right. Seated are my Si Fu and my Si Gung. This photograph marked the conclusion of a tutorial qualification seminar for the Siu Nim Tau Domain, but during this period in 2004, many of the Masters from Rio de Janeiro, such as Master Ursula, Master Diego, and Master Felipe, had not yet been qualified. Additionally, other professionals had distanced themselves from the organisation and the Kung Fu Family. As a result, the Moy Jo Lei Ou Family was predominant and shared absolute space with the Moy Yat Sang Family.
Over the years, at different points, my Si Fu pointed out a supposed trait of mine, where I tended to form groups within the Kung Fu Family. On other occasions, when it came to organising an event and I took the lead — particularly after the members of the Moy Yat Sang Family began to follow their own paths — I took on this responsibility. Initially, I would complain that no one volunteered to help. Later, when some Kung Fu brothers, such as Carlos Antunes and Thiago Silva, began to assist, I would end up forming a small group. Finally, in a third phase, when I found myself in charge once again — whether due to seniority or proactivity — I preferred to do everything on my own, believing that the others might slow down what I felt could be accomplished more quickly.
However, today I realise that, far more than my supposed individualism or the tendency to form subgroups within the Family, the real issue was that the Provision of Kung Fu Life was not prioritised. The priority was to deliver the event, and this lack of understanding has come at a high cost.

Quando cheguei com meu discípulo Markus ao Restaurante China Lake para a celebração do aniversário do Mestre Paulo Camiz, eu estava muito feliz e em paz. Havia superado, em parte, problemas pessoais difíceis que me acometeram nos últimos meses. Estava feliz por poder proporcionar aquele momento ao Keith Markus e por poder estar ali, prestigiando o Mestre Paulo. A sua Família Kung Fu sempre me trata com muito carinho a cada contato. A maneira como seu To Dai Fernando faz um convite faz com que você se sinta a pessoa mais especial do mundo, tamanha a dedicação que ele coloca em cada interação, sempre se dispondo a ajudar no que for necessário. Eu estava tão feliz que, mesmo já tendo estado lá tantas vezes, notei um lustre ao final da escada pela primeira vez e me atrevi a tirar uma foto.
Ao adentrar o salão, vi a mesa do Mestre Paulo ao fundo, com sua esposa, seu To Dai Ortega, sua filha, e sua mãe. O Mestre Paulo me recebeu com um sorriso, e eu me aproximei da mesa. Nos abraçamos.

When I arrived with my disciple Markus at the China Lake Restaurant for Master Paulo Camiz's birthday celebration, I was very happy and at peace. I had partly overcome some difficult personal issues that had affected me in recent months. I was happy to be able to provide that moment for Keith Markus and to be there, honouring Master Paulo. His Kung Fu Family always treats me with great affection at every encounter. The way his To Dai Fernando extends an invitation makes you feel like the most special person in the world, given the dedication he puts into every interaction, always making himself available for whatever is necessary. I was so happy that, even though I had been there many times before, I noticed a chandelier at the end of the staircase for the first time and took the liberty of taking a photo.
As I entered the hall, I saw Master Paulo's table at the back, with his wife, his To Dai Ortega, his daughter, and his mother. Master Paulo welcomed me with a smile, and as I approached the table, we embraced.
Ortega naturalmente estava atento às mesas e à possibilidade de juntá-las ou trocá-las, o que acabou acontecendo posteriormente. Enquanto isso, Mestre Paulo, sua esposa e co-líder da Família Moy Mei Sih, Sra. Flavia Camiz, estavam muito tranquilos. A postura deles me lembrou imediatamente a postura do Mestre Felipe Soares em diferentes ocasiões com sua Família Kung Fu. Talvez, por darem prioridade ao Provimento de Vida Kung Fu, eles se disponibilizam para situações das mais diversas que o To Dai possa proporcionar por falta de experiência ou atenção, entendendo que o fazem em função de serem Si Fu, e não para serem homenageados. Com isso, observando a calma do Mestre Paulo, refleti sobre minha própria conduta em outras oportunidades no início da minha carreira, querendo que os eventos dessem certo a qualquer custo. Promovendo oportunidades completamente fora da Dimensão Kung Fu e medindo o sucesso ou fracasso por uma régua que não faz parte desse mundo. Mais uma vez, me senti satisfeito por estar com Markus (foto acima) ali comigo, pois ele, que esteve ao meu lado em todos os altos e baixos e durante um momento ainda menos experiente meu, me dava agora esta oportunidade de promover algo de melhor qualidade. Mexi no par de Kuàizi (筷子 Faai3 Zi2) sobre a mesa com meu dedo polegar e indicador e, naquele momento, lembrei que minha sorte é imbatível. Só ela explica essa virada de rumo.

Ortega was naturally attentive to the tables and the possibility of joining or rearranging them, which eventually happened. Meanwhile, Master Paulo, his wife and co-leader of the Moy Mei Sih Family, Mrs. Flavia Camiz, were very calm. Their posture immediately reminded me of Master Felipe Soares' stance on different occasions with his Kung Fu Family. Perhaps, by prioritising the Kung Fu Life , they make themselves available for all sorts of situations that the To Dai might encounter due to lack of experience or attention, understanding that they do this because they are Si Fu, and not to be honoured. Observing Master Paulo’s calm, I reflected on my own conduct during other opportunities early in my career, when I wanted the events to succeed at any cost. I was promoting opportunities completely outside of the Kung Fu Dimension and measuring success or failure by a yardstick that doesn't belong to this world. Once again, I felt satisfied to be with Markus (photo above) there with me, as he, who had stood by me through all the highs and lows, and during a time when I was less experienced, was now giving me this opportunity to promote something of better quality. I fiddled with the pair of Kuàizi (筷子 Faai3 Zi2) on the table with my thumb and index finger, and at that moment, I remembered that my luck is unbeatable. Only it can explain this turn of events.

Foi então que Si Gung (foto acima) chegou com sua esposa, a Sra. Maria. Eles tinham um compromisso particular inadiável em outra parte da cidade, mas, por sugestão da Sra. Maria, passaram antes na celebração do Mestre Paulo, que ficou surpreso, o que o deixou muito feliz. Sua esposa, a Sra. Flavia (de preto na foto acima), ficou contente ao vê-lo sorrir com a chegada de Si Gung.
Si Gung sentou-se à mesa conosco, e logo depois, a Mestra Cristina e Fernando (To Dai do Mestre Paulo), bem como o pai do Mestre Paulo, o Si Suk Paulo Camiz, se juntaram à celebração. Por alguma razão, eu estava um pouco emocionado com tudo o que estava acontecendo ali. Quando decidi passar a trabalhar com a Moy Yat Ving Tsun sob a orientação do Grão-Mestre Leo Imamura, já que meu Si Fu havia iniciado seu próprio Instituto, o Grão-Mestre Leo me perguntou: "Você quer conhecimento ou reconhecimento? Se for reconhecimento, posso te dar, mas se for conhecimento, você vai trabalhar como nunca." - Essa frase se tornou inesquecível para mim, porque era o que eu estava buscando: um trabalho em busca de algo mais profundo. Por outro lado, momentos especiais como esse, presenciando o aniversário do Mestre Paulo, não foram prometidos a mim, mas eles estão sempre acontecendo. São como recompensas por continuar neste caminho do ramo da emoção, com todos os seus altos e baixos.

It was then that Si Gung (photo above) arrived with his wife, Mrs. Maria. They had an unavoidable personal commitment in another part of the city, but, at Mrs. Maria's suggestion, they stopped by the celebration of Master Paulo, which took him by surprise and made him very happy. His wife, Mrs. Flavia (wearing black in the picture above), was pleased to see him smile upon Si Gung's arrival.
Si Gung sat at the table with us, and shortly after, Master Cristina and Fernando (To Dai of Master Paulo), as well as Master Paulo's father, Si Suk Paulo Camiz, joined the celebration. For some reason, I felt somewhat emotional about everything happening there. When I decided to start working with Moy Yat Ving Tsun under the guidance of Grandmaster Leo Imamura, since my Si Fu had started his own Institute, Grandmaster Leo asked me, "Do you want knowledge or recognition? If it's recognition, I can give you that, but if it's knowledge, you'll work harder than ever." This sentence became unforgettable for me because it was what I was seeking: a work in search of something deeper. On the other hand, special moments like this, witnessing Master Paulo's birthday, were not promised to me, but they are always happening. They are like rewards for continuing on this  "emotion business", with all its ups and downs.

Quando a palavra foi passada para mim, fiz questão de agradecer a ele e à sua esposa Flavia por terem me acolhido tão carinhosamente no aniversário de 50 anos do Grão-Mestre Leo Imamura, em 2013 (foto acima), pois eu era o único da minha Família Kung Fu presente. Talvez eles nem lembrassem, mas a fala de seu pai, que tem o mesmo nome que ele, me marcou profundamente. Ele comentou sobre a incrível memória do Mestre Paulo, mas também destacou um detalhe importante: o quanto ele era um bom filho. Além disso, Si Suk Paulo (pai) comentou sobre a impressionante qualidade profissional do Mestre Paulo Camiz, também como médico, sendo capaz de guardar em sua memória o status de cada paciente sob seus cuidados.
A celebração ocorreu muito bem e dentro do esperado: uma oportunidade de Provimento de Vida Kung Fu, que foi muito bem pontuada pela Co-Líder da Família, Sra. Flavia, ao fazer referência a um pequeno momento envolvendo o bolo. "Acho que isso foi bom pra vocês", teria dito ela aos alunos.
Assim, ficou para mim uma lição muito importante: levar a vida com leveza, não porque eu queira, mas porque o trabalho está tão alinhado com a proposta da nossa Linhagem, que as coisas acontecem de forma leve e com grande potencial de transformação para os participantes. Assim, fui me deitar naquela noite com muito para refletir. No mínimo, tenho muito trabalho a fazer internamente. Essa é a beleza de recomeçar do zero.

When the floor was passed to me, I made a point of thanking him and his wife Flavia for welcoming me so warmly at the 50th anniversary celebration of Grandmaster Leo Imamura in 2013 (photo above), as I was the only one from my Kung Fu Family present. Perhaps they didn’t even remember, but the words of his father, who shares the same name, left a lasting impression on me. He spoke about Master Paulo’s incredible memory, but also highlighted something important: how good a son he was. Furthermore, Si Suk Paulo (father) commented on Master Paulo Camiz’s impressive professional qualities, also as a doctor, being able to retain in his memory the status of each patient under his care.
The celebration went very well and as expected: an opportunity for Kung Fu Life Provision, which was very well pointed out by the Co-Leader of the Family, Mrs. Flavia, when referencing a small moment involving the cake. "I think this was good for you," she reportedly said to the students.
Thus, a very important lesson stayed with me: to live life with ease, not because I want to, but because the work is so aligned with the proposal of our Lineage that things happen smoothly, with great potential for transformation for the participants. That night, I went to bed with much to reflect on. At the very least, I have a lot of internal work to do. This is the beauty of starting over from scratch.



A DISCIPLE OF MASTER JULIO CAMACHO
Master Thiago Pereira
Leader of  Moy Fat Lei Family
moyfatlei.myvt@gmail.com
@thiago_moy 









sábado, 1 de março de 2025

Luk Dim Bun Gwan vs Sledgehammer in São Paulo

Bom, você podia me ver ali em setembro de 1999, logo após experimentar o uniforme recém-comprado da Moy Yat Ving Tsun: uma camisa gola-polo preta com um logotipo verde e vermelho, e uma calça preta com o mesmo logotipo. Enquanto minha mãe recolhia papéis, uniformes e tudo que compunha uma espécie de kit que você recebia ao se matricular no então "Núcleo Jacarepaguá", que ficava situado na Estrada do Tindiba, meu Si Fu, com seus 29 anos, perguntou se eu e minha mãe tínhamos alguma dúvida. Talvez para a surpresa de todos, eu disse que sim. Parecendo curioso, ele perguntou sorrindo o que era. E eu perguntei: "Você pensa em desistir algum dia?" Ele, parecendo achar a pergunta estranha, não respondeu. Em vez disso, fez outra pergunta: "Por que você está perguntando isso?" Ainda sorrindo, respondi que havia passado por alguns profissionais que desistiram de dar aulas depois de um tempo. Si Fu, achando graça, concluiu: "Olha, eu não penso em desistir não, viu? E pode ficar tranquilo, porque se um dia eu desistisse, teria gente pra cuidar de você."-  Bem, talvez nem com toda a nossa criatividade conseguíssemos prever o rumo que nossas vidas tomariam 25 anos depois...
 

Well, you could have seen me there in September 1999, shortly after trying on the newly bought Moy Yat Ving Tsun uniform: a black polo shirt with a green and red logo, and black trousers with the same logo. While my mother was gathering papers, uniforms, and everything that made up a sort of kit you received when enrolling at the then "Moy Yat Ving Tsun Jacarepaguá School" located on Tindiba Road, my Si Fu, at 29 years old, asked if my mother and I had any questions. Perhaps to everyone's surprise, I said yes. Seemingly curious, he smiled and asked what it was. I then asked: "Do you ever think about quitting?" Seemingly finding the question odd, he didn’t answer. Instead, he asked another question: "Why are you asking that?" Still smiling, I replied that I had encountered a few instructors who had quit teaching after a while. Si Fu, finding it amusing, concluded: "Well, I don’t think I’ll quit, you know? And don’t worry, because if I ever did, there would be people to look after you." Well, perhaps even with all our creativity, we couldn’t have predicted the direction our lives would take 25 years later...

Diferente das duas últimas vezes em que estive com Si Gung, desta vez, com menos desafios em minha vida pessoal, eu estava completamente tranquilo para aproveitar ao máximo cada atividade. Após Si Gung chamar minha atenção de forma um pouco mais veemente sobre a atitude mental que um artista marcial deveria adotar em momentos de adversidade, consegui aproveitar a visita a São Paulo em Janeiro, mesmo com o mundo aparentemente desabando. Por isso, agora que a tempestade havia passado, em cada momento eu podia sentir como quando você assiste a um filme tão bom que se sente pena de que ele vai acabar em algum momento. Foi assim quando assisti "Esporte Sangrento" (Only the Strong, 1996) pela primeira vez. Além disso, você podia me ver ali praticando "Luk Dim Bun Gwan" com meu Si Suk Dorival. A dedicação aos fundamentos me proporcionou a possibilidade de praticar de forma razoável a dois. E isso também tem sido uma grande felicidade como praticante.

Unlike the last two times I was with Si Gung, this time, with fewer personal challenges in my life, I was completely calm and able to make the most of every activity. After Si Gung pointed out, somewhat more firmly, the mental attitude a martial artist should adopt in times of adversity, I managed to appreciate the January trip to São Paulo, even though it felt like the world was falling apart. So, now that the storm had passed, at every moment I could feel like when you watch a film so good that you regret it will end at some point. It was like that when I watched "Only the Strong" (1996) for the first time. In addition, you could have seen me practising "Luk Dim Bun Gwan" with my Si Suk Dorival. My dedication to the fundamentals allowed me to practise reasonably well with a partner. And that, too, has been a great joy as a practitioner.

Atualmente, o "Luk Dim Bun Gwan" tem sido, para mim, o domínio onde mais consigo, como praticante, enxergar as conexões que o Sistema Ving Tsun faz e o que a falta deste estudo proporciona. O "Jin Choei" nunca foi um teste de resistência que você precisa superar para seguir adiante e nunca mais pensar nele. Não, nada disso. Ele talvez apenas mostre o quanto você usou artifícios para não se dedicar com afinco ao estudo do "Yi Ji Kim Yeung Ma", e, sem consciência de base alguma, você atravessou "Cham Kiu", "Biu Ji" e "Mui Fa Jong". Seu corpo simplesmente não tem estrutura para sustentar esse componente associado. E acredito que se engana quem pensa que com uma boa aptidão física você está indo bem no "Jin Choei". Não estudar a fundo suas nuances vai fazer do seu "Biu Gwan" o disparo mais impreciso possível, que sai de lugares improváveis e inadequados. Se você percebe esse tipo de falha, você nunca mais vai ficar em paz até corrigir isso...

Currently, "Luk Dim Bun Gwan" has become, for me, the domain where I most clearly see, as a practitioner, the connections that the Ving Tsun system makes and what the lack of this study results in. The "Jin Choei" has never been a test of endurance that you need to overcome in order to move forward and never think about again. No, nothing like that. It perhaps only reveals how much you’ve relied on shortcuts to avoid dedicating yourself properly to the study of "Yi Ji Kim Yeung Ma," and, without any foundational awareness, you’ve passed through "Cham Kiu," "Biu Ji," and "Mui Fa Jong." Your body simply doesn’t have the structure to support this practice. And I believe those who think that with good physical fitness they’re doing well in "Jin Choei" are mistaken. Not studying its nuances in depth will make your "Biu Gwan" the most inaccurate strike possible, coming from the most improbable and unsuitable places. If you notice this kind of flaw, you’ll never have peace until you fix it...
Existe um efeito chamado "gated reverb", que é uma reverberação muito alta nas batidas da bateria, seguida por um "gate" (portão de ruído), que corta o som da reverberação abruptamente, criando um efeito muito característico, com uma "explosão" do som da bateria, mas sem o prolongamento da reverberação. Isso resulta em um som de bateria muito mais seco e impactante, mas ao mesmo tempo com uma sensação de espaço e profundidade. Esse é o som das baterias nas músicas dos anos 80, e é creditado a um dos meus artistas favoritos, Peter Gabriel, que foi pioneiro nesse artifício. Como se isso não fosse o bastante, ele investiu em um sintetizador Fairlight CMI. Na década de 1980, o Fairlight representava a vanguarda da síntese digital e era um equipamento extremamente caro. Ele não precisava desse aparelho, mas foi o primeiro a ter um na Inglaterra, permitindo-lhe simular uma shakuhachi na introdução da música "Sledge Hammer", uma das minhas favoritas.
Enquanto sorria ao emendar uma sequência bem feita de "Chi Gwan" com Si Suk Dorival (foto), essa música começou a tocar na minha cabeça, e pensei na história do Fairlight CMI. Será que "Sledgehammer" seria uma música com tantas camadas, indo de um clássico pop até um tesouro da produção musical do século 20, sem esse investimento de Peter Gabriel no Fairlight CMI por um único efeito? Será que dá para ir mais fundo na nossa arte do que jamais imaginamos, ou será que ficar na superfície é o suficiente, se considerarmos o investimento (em todas as suas manifestações) algo demais para nós?

There is an effect called "gated reverb", which is a very high reverb on the drum hits, followed by a "gate" (noise gate), which abruptly cuts off the reverb sound, creating a very characteristic effect, with an "explosion" of the drum sound but without the reverb's prolonged tail. This results in a drum sound that is much drier and more impactful, while at the same time giving a sense of space and depth. This is the sound of drums in 80s music, and it is credited to one of my favourite artists, Peter Gabriel, who was a pioneer of this technique. As if that wasn’t enough, he also invested in a Fairlight CMI synthesiser. In the 1980s, the Fairlight represented the forefront of digital synthesis and was an extremely expensive piece of equipment. He didn’t really need this device, but he was the first to have one in the UK, allowing him to simulate a shakuhachi in the intro to the song "Sledgehammer", one of my favourites.
As I smiled while stitching together a well-executed sequence of "Chi Gwan" with Si Suk Dorival (photo), this song began to play in my head, and I thought about the story of the Fairlight CMI. Would "Sledgehammer" have been a song with so many layers, ranging from a pop classic to a treasure of 20th-century musical production, without Peter Gabriel’s investment in the Fairlight CMI for just one effect? Is it possible to go deeper into our art than we ever imagined, or is staying on the surface enough, if we consider the investment (in all its forms) to be too much for us?


Eu tive uma resposta quando um Mestre que admiro, e que estava presente mas não aparece nas fotos, tirou algumas dúvidas comigo sobre o procedimento adequado do "Chi Gwan". Existe um nível exigido pelo Si Gung, que, apenas um ano atrás, eu me vi sem condições de contemplar, e que, graças à paciência dele, investindo horas para que eu pudesse fazer um "Jin Choei" digno, e todos os encontros arranjados nos meses seguintes para acompanhar o acesso do querido Si Suk Dorival ao "Luk Dim Bun Gwan", me rendeu aquele singelo momento de honra. - "Poxa, pude ajudar um cara que admiro em algo que, um ano antes, eu não alcançava." - Pensei satisfeito.
Depois de 25 anos, me sinto feliz com o rumo que a vida tomou. Hoje, junto aos demais membros do Moy Yat Ving Tsun Safeguard Group, investimos horas de energia e dedicação, talvez por um único som. Não importa quanto tempo a gente leve errando e chegando perto, ou o quão veemente o Si Gung chame a nossa atenção. Quando qualquer um consegue ter aquele lance cirúrgico que dura um segundo, é impossível não abrir um sorriso. É como quando você está apoiado no balcão do bar de um pub e  ouve o shakuhachi simulado no Fairlight CMI de Peter Gabriel, depois de um longo tempo sem ouvir "Sledgehammer", e você é pego de surpresa. Você sempre vai abrir um sorriso.

I had an answer when a Master I admire, who was present but doesn't appear in the photos, cleared up some doubts with me about the proper procedure for "Chi Gwan". There is a level required by Si Gung, which, just a year ago, I felt incapable of reaching, and thanks to his patience, investing hours so that I could perform a worthy "Jin Choei", along with all the meetings arranged in the following months to accompany dear Si Suk Dorival's progress with the "Luk Dim Bun Gwan", it resulted in that humble moment of honour. - "Wow, I was able to help someone I admire with something I couldn't achieve a year ago." - I thought, feeling satisfied.
After 25 years, I am happy with the direction my life has taken. Today, alongside the other members of the Moy Yat Ving Tsun Safeguard Group, we invest hours of energy and dedication, perhaps for a single sound. It doesn't matter how long it takes us, making mistakes and getting close, or how vehemently Si Gung calls our attention. When anyone manages to pull off that surgical move that lasts a second, it's impossible not to smile. It's like when you're leaning against the bar in a pub and hear the shakuhachi simulated on Peter Gabriel's Fairlight CMI, after a long time without hearing "Sledgehammer", and you're caught by surprise. You will always smile.



A DISCIPLE OF MASTER JULIO CAMACHO
Master Thiago Pereira
Leader of  Moy Fat Lei Family
moyfatlei.myvt@gmail.com
@thiago_moy 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Choosing the attire for Keith Markus' Master's Qualification Ceremony.


Quando se começa tão jovem quanto eu comecei na Família Kung Fu, aos 15 anos, para ser mais exato, o Si Fu acaba participando, sempre que a relação permite, de aspectos muito básicos, mas fundamentais para a sua formação como pessoa. Dependendo do seu "background", isso se torna ainda mais importante, como foi o meu caso. Ao longo dos anos, meu Si Fu, às vezes brincando e em outras ocasiões chamando a atenção diretamente, fez apontamentos sobre como eu me vestia. Não se tratava de fazer um julgamento sobre se a roupa era bonita ou de qual marca era, mas sim de me fazer tomar consciência de quão apropriada (ou não) a roupa estava para determinada ocasião.
Quando eu tinha 16 anos, por exemplo, eu estava sempre com minha bicicleta, e comprei uma camisa prateada da Nike que adorava. Usei-a pela manhã no Mo Gun e, à noite, lá estava eu novamente, com minha bicicleta e a mesma camisa. Havia jogado futebol no meio do dia e, para mim, aos 16 anos, parecia estar tudo bem. Havia sido marcada uma partida de RPG como parte do processo de Vida Kung Fu, no próprio Mo Gun, capitaneada pelo Carlos Klimick. Quando Si Fu chegou e apertou minha mão, ele franziu as sobrancelhas e perguntou: "Você não estava com essa camisa de manhã?" Para todos, a noite era sobre o jogo de RPG; para mim, era sobre a camisa que eu usava. Pareceu pesar o mundo sobre meus ombros. Com uma simples pergunta, nunca mais parei de prestar atenção nesse tipo de detalhe desde os 16 anos de idade. Até hoje, geralmente carrego duas camisas, dependendo do que vou fazer durante o dia. Mas, dentre tantas situações relacionadas a roupas, sem dúvida, a mais emblemática foi a que usei para o meu "Baai Si"...

When one begins at such a young age as I did in the Kung Fu Family, at 15 years old to be more precise, your Si Fu inevitably participates, as the relationship allows, in very basic but fundamental aspects of your development as a person. Depending on your background, this becomes even more important, as was the case for me. Over the years, my Si Fu, sometimes playfully and other times directly pointing it out, made observations about how I dressed. It was not a matter of judging whether my clothes were beautiful or what brand they were, but rather making me aware of how appropriate (or not) my attire was for a given occasion.

When I was 16, for example, I was always with my bicycle, and I bought a silver Nike shirt that I loved. I wore it in the morning at the Mo Gun and, in the evening, there I was again, with my bicycle and the same shirt. I had played football earlier in the day, and at 16, it seemed perfectly fine to me. A role-playing game session had been scheduled as part of the Kung Fu Life Process at the Mo Gun, led by Carlos Klimick. When Si Fu arrived and shook my hand, he furrowed his eyebrow and asked, "Weren’t you wearing that shirt in the morning?" For everyone else, the evening was about the RPG game; for me, it was about the shirt I was wearing. It felt as if the weight of the world had descended upon me. With a simple question, I never stopped paying attention to such details since I was 16. Even today, I generally carry two shirts with me, depending on what I will be doing during the day. But among so many instances regarding clothing, without a doubt, the most emblematic one was the shirt I wore for my "Baai Si"...

Eu já estava em São Paulo com Markus há um dia. Havia levado ele, junto com o Lucas, a uma padaria próxima à Faria Lima para tomar café. Fomos até o Instituto para praticarmos durante a manhã, depois fomos almoçar com meu amigo Ki H. Choi. Em seguida, fomos ao bairro japonês, chamado Liberdade, para Markus conhecer, e finalmente chegamos ao shopping Morumbi para ele escolher sua roupa para a titulação de Mestre. Já havia estado com Si Gung ali inúmeras vezes e sabia de algumas lojas onde poderíamos encontrar trajes adequados para a ocasião, mas decidi pedir ajuda ao Si Gung mesmo assim. Pelo telefone, ele via as fotos, fazia comentários e dava orientações. Por fim, ele sugeriu que esperássemos sua chegada no dia seguinte para ir conosco.
Sendo assim, voltamos ao Instituto, onde Markus e Lucas praticaram "Jin Choei" e depois fomos jantar. No dia seguinte, finalmente, junto do Mestre Herbert (foto à direita), fomos pegar Si Gung e sua esposa no aeroporto e depois fomos tomar café da manhã(foto). Em momentos como esses, os assuntos variam, mas sempre de alguma forma são conectados por Si Gung a algum aspecto da Dimensão Kung Fu. Com isso, ele parece estar sempre atento ao que é dito e ao que não é dito, pois aquilo que você fala sem prestar atenção, ele trará dentro de uma perspectiva kung fu, mesmo que não seja no mesmo dia. E tudo isso enriquece muito cada momento.

I had already been in São Paulo with Markus for a day. I had taken him, along with Lucas, to a bakery near Faria Lima Street for breakfast. We then went to the Institute to practice throughout the morning, after which we had lunch with my friend Ki H. Choi. We visited the Japanese district, known as Liberdade, so Markus could familiarise himself with it, and finally, we arrived at the Morumbi shopping mall so he could choose his attire for his Master’s title ceremony. I had been there numerous times with Si Gung and knew of some stores where we could find suitable suits for the occasion, but I decided to ask Si Gung for help nonetheless. Over the phone, he viewed the photos, made comments, and gave guidance. Ultimately, he suggested that we wait for his arrival the following day so that he could join us.
Thus, we returned to the Institute, where Markus and Lucas practiced "Jin Choei" before we went for dinner. The next day, finally, together with Master Herbert (photo on the right), we went to pick up Si Gung and his wife at the airport and then went for breakfast (photo). In moments like these, the topics of conversation vary, but they are always somehow tied by Si Gung to some aspect of the Kung Fu Dimension. In this way, he seems always to be attentive to what is said and what is not said, as what you mention without paying attention, he will later bring up within a Kung Fu perspective, even if it is not on the same day. All of this enriches each moment greatly.

Fomos até uma loja próxima à residência do Si Gung e fomos muito bem atendidos. Si Gung, gentilmente e pacientemente, compartilhava com Markus seu conhecimento para escolher uma roupa apropriada. Alguns meses atrás, quando perguntei a Si Gung sobre a escolha de sua roupa para uma determinada ocasião, ele foi muito enfático ao dizer que estava representando o Sistema Ving Tsun e não apenas a si próprio. Essa convivência com Si Gung tem sido muito importante para perceber que suas escolhas no dia a dia, assim como na sua abordagem do Sistema Ving Tsun, seguem uma mesma lógica. E ele sempre se mostra solícito a compartilhar sua linha de raciocínio com quem desejar. Portanto, não se trata de marcas, mas de uma coerência sempre presente em cada uma de suas ações. Esse tem sido um trabalho muito desafiador que tenho tentado desenvolver, pois Si Gung, assim como eu, acreditamos que o refinamento da nossa abordagem com o Sistema Ving Tsun tem o potencial de influenciar diretamente como vivemos o dia a dia.

We went to a tailor shop near Si Gung's residence and were warmly received. Si Gung, kindly and patiently, shared his knowledge with Markus to help him choose appropriate attire. A few months ago, when I asked Si Gung about his choice of clothing for a specific occasion, he was very emphatic in saying that he was representing the Ving Tsun System, not just himself. This experience with Si Gung has been very important for realising that his choices in daily life, as well as his approach to the Ving Tsun System, seem to follow the same logic. He is always willing to share his thought process with anyone who wishes to learn. Therefore, it is not about brands, but about a coherence that is ever-present in each of his actions. This has been a very challenging endeavour that I have been trying to develop, as Si Gung, like myself, believes that the refinement of our approach to the Ving Tsun System has the potential to directly influence how we live our everyday lives.

Sentado ali com Si Gung, esperando Markus pagar, chegou o meu café espresso. Sempre que vou beber um gole de café, lembro do Si Fu, pois ele me orientou, em uma determinada oportunidade, sobre como beber café de maneira a apreciá-lo e não apenas engoli-lo. Ele dividiu esse momento em algumas etapas, e eu sempre as sigo. Quando dou por mim, lembro dele.
Lembrando dele, talvez por me ver envolto a ternos, recordei da época do meu "Baai Si" (foto acima). Si Fu havia sugerido que seria interessante usar uma roupa nova ou, ao menos, uma peça de roupa nova. Levando essa orientação muito a sério, e acompanhado de minha mãe, minha irmã e uma de minhas tias, escolhi um terno cinza, com gravata azul metálica e camisa azul. Na época, eu também costumava assistir a uma série em que o personagem principal, para demonstrar seu comprometimento com uma promessa, raspava os cabelos. Decidi então raspar meu cabelo e realizar a Cerimônia.
Tempos depois, numa noite qualquer, sentava ao lado de Si Fu na mureta da varanda do Mo Gun, enquanto outras pessoas praticavam. Ele então comentou algo como: "Pereira, a Ursula falou que você não fez o acerto..." (referindo-se ao meu acerto mensal). Com muita naturalidade, respondi: "Estou sem dinheiro". Si Fu perguntou o que havia acontecido e eu respondi: "Eu usei para comprar o terno". Talvez perplexo, Si Fu teve a paciência de me explicar que, se esse fosse o caso, eu não precisava ter comprado o terno inteiro; bastava apenas uma peça de roupa nova, conforme ele havia sugerido. Afinal, de que adiantava usar uma roupa toda nova, se agora eu não conseguia pagar o que devia? No final, ele estaria pagando pelo meu terno.
Essa conversa ocorreu em junho de 2007, ou talvez em julho. Não lembro exatamente quanto tempo fiquei sem pagar por causa do terno, mas lembro que, apesar de parecer óbvio, eu não tinha pensado em nada daquilo e fiquei em silêncio.

Sitting there with Si Gung, waiting for Markus to pay, my espresso arrived. Whenever I take a sip of coffee, I think of Si Fu, as he once advised me on how to drink coffee in a way that allows one to appreciate it, rather than simply swallowing it. He divided the process into stages, and I always follow them. When I realise this, I remember him.
Remembering him, perhaps because I was surrounded by suits, I thought back to the time of my "Baai Si" (photo above). Si Fu had suggested that it would be appropriate to wear a new outfit, or at least a new piece of clothing. Taking this advice very seriously, I went with my mother, sister, and one of my aunts to choose a grey suit, with a metallic blue tie and a blue shirt. At that time, I also used to watch a series in which the main character, in order to demonstrate his commitment to a promise, shaved his head. I then shaved my hair and performed the Ceremony.
Sometime later, one evening, I was sitting next to Si Fu on the ledge of the Mo Gun’s balcony while others practised. He then commented something like, "Pereira, Ursula said you haven’t made the payment..." (referring to my monthly payment). Very naturally, I replied, "I don’t have any money." Si Fu asked what had happened, and I responded, "I used it to buy the suit." Perhaps puzzled, Si Fu patiently explained that, if that were the case, I didn’t need to have bought the entire suit; I only needed a new piece of clothing, as he had suggested. After all, what good was it to have bought an entirely new outfit, if I now couldn’t pay what I owed? In the end, he would be the one paying for my suit.
This conversation took place in June 2007, or maybe July. I don’t remember exactly how long I went without paying because of the suit, but I do remember that, although it seemed obvious, I hadn’t thought of any of that and I remained silent.

Sentado ali, a única coisa que me passou pela cabeça, ao final dessas lembranças, enquanto aguardava meu discípulo comprar um terno para sua titulação de Mestre, foi uma expressão em inglês que eu não saberia traduzir, mas foi o que pensei: "What a ride!" - Si Gung então perguntou se já podíamos ir, mas eu mal tinha bebido o espresso, perdido em meus pensamentos. A lição que ficou para mim dessa oportunidade foi que, tantos anos depois, desde a minha camisa suada da Nike, aos dezesseis anos, até o momento em que meu discípulo compra seu terno para a titulação, percebi que meu desenvolvimento a partir da "Vida Kung Fu" ainda estava muito compartimentado em minha mente. Com isso, a habilidade de escolher a roupa apropriada para cada ocasião ainda não havia sido correlacionada com outros aspectos da minha vida. Me pareceu que são lembranças que carrego e que me orientam quando preciso, mas que não foram devidamente incorporadas, a ponto de eu poder esquecê-las, e a lógica delas estar presente em minhas ações. É como ver alguém praticando uma listagem do Sistema Ving Tsun, onde, sempre que a pessoa ainda precisa lembrar do movimento seguinte, isso é a prova de que ela ainda não está na "Dimensão Kung Fu".

Sitting there, the only thing that crossed my mind at the end of these memories, while waiting for my disciple to buy a suit for his Master’s title ceremony, was an English expression that I wouldn’t be able to translate, but it was what I thought: "What a ride!" Si Gung then asked if we could go, but I had barely sipped my espresso, lost in my thoughts. The lesson that stayed with me from this opportunity was that, many years later, from my sweaty Nike shirt at sixteen to the moment when my disciple buys his suit for the title, I realised that my development through "Kung Fu Life" was still very compartmentalised in my mind. As a result, the ability to choose the appropriate attire for each occasion had not yet been correlated with other aspects of my life. It seemed to me that these are memories I carry and that guide me when needed, but they have not been fully incorporated to the point where I could forget them, and yet their logic would still be present in my actions. It is like seeing someone practising a form, where, whenever the person still needs to remember the next movement, it is proof that they are not yet in the "Kung Fu Dimension".



A DISCIPLE OF MASTER JULIO CAMACHO
Master Thiago Pereira
Leader of  Moy Fat Lei Family
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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Working the Ving Tsun Experience Programme with a Commandos.

 

"Na Dimensão Kung Fu não existe mágica" – teria dito Grão-Mestre Leo Imamura quando comentei com ele, empolgado, sobre um determinado processo que parecia ter se dado de maneira "mágica". Na ocasião, não entendi muito bem, afinal, estava apenas dramatizando minha história. Mas, recentemente, talvez tenha conseguido compreender melhor o que ele quis dizer. Acontece que, desde dezembro, vinha conversando com ele e com o Mestre Fabio Gomes sobre o início do COMANDOS Marcelo Alves (foto acima), veterano do Exército Brasileiro no Programa Ving Tsun Experience. Marcelo é uma pessoa com muita experiência de vida e também com experiência junto ao Mestre Fabio Gomes, com quem vem desenvolvendo um trabalho muito especial ao longo dos últimos 25 anos, junto às Forças de Operações Especiais e equipes de segurança de forma geral. O Comandos Marcelo Alves assiste ao Mestre Fabio em suas instruções em diferentes cenários, bem diferentes dos de um "Mo Gun", mas esse Comandos ainda não havia iniciado formalmente sua "Jornada Kung Fu". Portanto, depois de muita conversa, iniciamos esse trabalho logo após o Ano Novo Chinês, na residência do Mestre Fabio Gomes, onde fomos gentilmente recebidos pela Sra. Adriana Lima, esposa do Mestre Fabio, que nos ofereceu um café da manhã.

"In the Kung Fu Dimension, there is no magic" – this is what Grandmaster Leo Imamura is said to have told me when I excitedly commented on a certain process that seemed to have unfolded in a "magical" way. At the time, I didn't quite understand it, as I was simply dramatizing my story, but recently, I believe I may have come to understand better what he meant.
Since December, I had been speaking with him and Master Fabio Gomes about the beginning of COMANDOS Marcelo Alves (pictured above), a veteran of the Brazilian Army in the Ving Tsun Experience Programme. Marcelo is a person with a wealth of life experience, as well as experience alongside Master Fabio Gomes, with whom he has been developing a very special work over the last 25 years with Special Operations Forces and security teams in general. The Commandos Marcelo Alves assists Master Fabio in his instructions in various scenarios, which are quite different from those of a "Mo Gun", but this Commandos had not yet formally started his "Kung Fu Journey". Therefore, after much discussion, we began this work shortly after the Chinese New Year at Master Fabio Gomes' residence, where we were kindly received by Mrs Adriana Lima, Master Fabio's wife, who offered us breakfast.
De alguma maneira, todas as aulas que marco com Marcelo Alves, nenhum dos meus discípulos convidados pode comparecer. Parece que sempre acontece algo. Por isso, tenho tido uma oportunidade muito especial de dar essas aulas sozinho, sem ninguém me orientando ou me ajudando, mas em nada se assemelha a quando comecei como profissional em 2008. Consegui perceber com clareza os resultados de estar acompanhando o Grão-Mestre Leo Imamura nas aulas do Programa Ving Tsun Experience em São Paulo. Ele nunca faz nada de improviso; nós nos encontramos antes para tomar café, e, se chegamos cedo ao Instituto, ele pede que os presentes trabalhem entre si o tema da aula. Quando a aula começa, ele define a ordem com que cada tutor vai até o tutorado. Ele observa com atenção como cada um está executando, comentando com quem está de fora o que está bom ou não no trabalho que está acontecendo, de maneira que possamos melhorar na nossa vez. Além disso, quando concluímos nossa rodada, ele vem até nós e sempre comenta respeitosamente o que não está bom. Outro aspecto importante é a presença e a manifestação da marcialidade desde o primeiro momento do Nível 1 do Programa Ving Tsun Experience. Talvez tenha sido por isso que, ao final da última aula, mandei uma mensagem para o Grão-Mestre Leo Imamura, muito tocado pelo que acabara de acontecer. Talvez você, que está lendo, não compreenda, mas a sensação de se dedicar a algo e perceber o resultado é indescritível. Porque, muitas vezes, parece que tudo acontece para que eu não vá mais uma vez até São Paulo ou Brasília... Sabe, não é como ir ao bairro ao lado. Muita gente pensa que, por eu não ter filhos ou esposa, esse processo é facilitado, mas não é bem assim. Cada pessoa tem uma complexidade específica em sua vida, e ela se manifesta sempre que estamos em um processo de melhoria. Se você não tiver um propósito muito claro quando sua mente lhe perguntar "Pra quê?" ou "Por quê?", você está perdido. E em nosso "ramo da emoção", onde não existem troféus ou grandes ganhos financeiros e a instabilidade embrulha o seu estômago, sua resposta a essas perguntas precisa ser bem coerente.

In some way, for every class I schedule with Marcelo Alves, none of my invited disciples are able to attend. It seems that something always happens. For this reason, I have had a very special opportunity to teach these classes alone, without anyone guiding or assisting me. However, it is in no way similar to when I first started as a professional in 2008. I have been able to clearly perceive the results of accompanying Grandmaster Leo Imamura in the classes of the Ving Tsun Experience Programme in São Paulo. He never does anything off the cuff; we meet beforehand for coffee, and if we arrive early at the Institute, he asks those present to work among themselves on the topic of the class. When the class begins, he defines the order in which each tutor will approach their student. He observes carefully how each person is performing, commenting to those on the outside what is working well or not in the ongoing work, in a manner that allows us to improve when it is our turn. Furthermore, when we conclude our round, he comes to us and always respectfully comments on what is not quite right. Another important aspect is the presence and manifestation of martiality from the very first moment of Level 1 of the Ving Tsun Experience Programme. Perhaps this is why, at the end of the last class, I sent a message to Grandmaster Leo Imamura, deeply moved by what had just taken place. Perhaps you, the reader, may not understand, but the feeling of dedicating oneself to something and seeing the results is indescribable. Because, many times, it seems as though everything happens to prevent me from going to São Paulo or Brasília once again... You see, it is not like going to the neighbouring district. Many people believe that, because I do not have children or a wife, this process is made easier, but it is not quite like that. Every individual has a specific complexity in their life, and it manifests itself whenever we are in a process of self-improvement. If you do not have a very clear purpose when your mind asks you "What for?" or "Why?", you are lost. And in our business that is the  "field of emotion", where there are no trophies or substantial financial gains, and instability churns your stomach, your answer to these questions must be very coherent.

Por isso, na última aula dada a Marcelo, em seu trabalho, ele me perguntou gentilmente: "Você acha que terminamos antes das 16h?"-  O relógio marcava três minutos para as 15h, então eu respondi que sim, afinal, caberia a mim arbitrariamente encerrar a aula no limite do horário. Havíamos almoçado antes, e agora estávamos ali. O Programa Ving Tsun Experience tem seu material constantemente atualizado e deixa claro, por exemplo, a diferença entre "Intencionalidade estratégica" e "objetivo". Além disso, não adianta você ler e replicar o que está na apostila; é fundamental você ter a experiência, como eu sigo tendo, de assistir a alguém que entenda este Programa e possa orientá-lo sobre como melhorar. Afinal, "Mobilização" é um processo bem diferente de "Tutorização" e vice-versa. Por isso, tínhamos dois fatores fundamentais ali: o desejo do Marcelo de dar o seu melhor, completamente coerente com a educação por investimento, e o meu novo preparo. Com isso, encerramos a aula de maneira breve, pois já havíamos contemplado a intencionalidade. Marcelo sorria largamente, e eu olhei para o meu relógio: "15:22h". - "P*** que p****" - pensei. Fiquei emocionado por dentro. Eu nem tinha olhado para o relógio, e não havia mais nada a fazer ali. - "Thiago, parece que eu corri 60 km", disse Marcelo, animado e com um largo sorriso, e prosseguiu: "Parece que passaram várias horas". Eu ainda estava em silêncio, pensando nos vinte minutos. Eu não tinha conduzido aquela aula em vinte minutos porque eu quis; ela tinha acontecido assim porque deveria. E ali, eu e Marcelo, tomando consciência do tempo cronológico, sentíamos o estranho efeito da passagem do tempo dentro do "Tempo emocional". - "Bom, eu vou tomar um café, como você está ocupado..." - comentei, sendo interrompido por Marcelo. - "Não, pô! Como acabou bem antes das 16h, eu vou tomar café com você!" E lá fomos nós para o pós-evento . 

That’s why, in the last lesson I gave to Marcelo, during his work, he kindly asked me: “Do you think we’ll finish before 4 p.m.?” The clock showed three minutes to 3 p.m., so I replied that yes, as it would be up to me to arbitrarily end the class at the scheduled time. We had had lunch earlier, and now we were there. The Ving Tsun Experience Programme regularly updates its material and makes it clear, for example, the difference between "strategic intentionality" and "objective." Moreover, it is no use reading and replicating what is in the booklet; it is essential to have the experience, as I continue to have, of watching someone who understands this Programme and can guide you on how to improve. After all, "Mobilisation" is a very different process from "Tutoring", and vice versa. Therefore, there were two key factors at play: Marcelo's desire to give his best, completely in line with education through investment, and my new preparation. With this, we concluded the lesson briefly, as we had already addressed the intentionality. Marcelo smiled broadly, and I glanced at my watch: "15:22". – "Bloody hell," I thought. I was moved inside. I hadn’t even looked at the watch, and there was nothing more to be done at that point. – "Thiago, it feels like I’ve run 60km," said Marcelo excitedly, continuing, "It feels like hours have passed." I was still silent, reflecting on the twenty minutes. I hadn’t conducted that lesson in twenty minutes because I wanted to; it had happened that way because it was meant to. And there, Marcelo and I, becoming aware of chronological time, felt the strange effect of the passage of time within "Emotional Time." – "Well, I’ll have a coffee, but since you’re busy..." I commented, only to be interrupted by Marcelo. – "No, mate! Since it finished well before 4 p.m., I’ll have coffee with you!" - And off we went to the post-event.

Passei o resto da tarde trabalhando do mesmo shopping no meu notebook. Meu sócio me enviava muitas mensagens devido aos desafios que nossa empresa tem enfrentado, mas eu estava tão feliz que não conseguia ser afetado pelas más notícias que chegavam. Infelizmente, ainda não aprendi a descrever sentimentos por texto, mas, conversando com o Grão-Mestre Leo Imamura por mensagem, comentei que, por dentro, enquanto estava feliz, também estava triste – triste por não ter tido essa oportunidade antes, de entender o Programa Ving Tsun Experience.
Felizmente, minha Família Kung Fu tem apenas nove anos de existência, e com isso, ainda terei muitas oportunidades de estudar, acompanhar aulas em São Paulo, Brasília, ou os Instrumentos do Programa, e seguir melhorando. Realmente, foi um momento muito especial, mas não consigo descrever melhor do que isso. Acho que posso encerrar com um trecho de um livro que estou lendo chamado "Nada pode me ferir" do David Goggins - "...Mas lembre-se: A visualização nunca compensará o trabalho que não foi feito. Não se pode visualizar mentiras. Todas as estratégias que eu uso para responder às perguntas básicas do jogo mental só são eficazes porque eu também dou duro..." - Então, não existe mágica na "Dimensão Kung Fu" como teria dito, Si Gung.

I spent the rest of the afternoon working from the same shopping mall on my laptop. My business partner sent me many messages due to the challenges our company has been facing, but I was so happy that I couldn’t be affected by the bad news that was coming in. Unfortunately, I still haven’t learned how to describe feelings through text, but while chatting with Grandmaster Leo Imamura, I mentioned that, inside, while I was happy, I was also sad – sad for not having had the opportunity earlier to understand the Ving Tsun Experience Programme.
Fortunately, my Kung Fu Family is only nine years old, and because of that, I will still have many opportunities to study, attend classes in São Paulo, Brasília, or explore the Instruments of the Programme, and continue improving. It really was a very special moment, but I can’t describe it any better than that. That’s it.
I think I can conclude with an excerpt from a book I am reading called "Can't Hurt Me" by David Goggins: “…But remember: Visualization will never compensate for the work that wasn’t done. You can’t visualize lies. All the strategies I use to answer the basic questions of the mental game are only effective because I also put in the hard work…” – So, there is no magic in the "Kung Fu Dimension," as Si Gung would have said.



A DISCIPLE OF MASTER JULIO CAMACHO
Master Thiago Pereira
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sábado, 15 de fevereiro de 2025

With Matheus and Lucas at the Moy Yat Institute: "Mui Fa Jong"

 

Si Gung estava nos EUA, e eu havia trabalhado com Lucas no "Luk Dim Bun Gwan" na noite anterior e também naquela manhã bem cedo, no Instituto Moy Yat. Além disso, havia estado com Lucas na celebração do Ano Novo Chinês, que ocorre anualmente no bairro da Liberdade. Finalmente, estava de pé diante do portão do local onde seria a celebração do Ano Novo do nosso Grande Clã. Em 48 horas tão ricas, entre o final da manhã e o final da tarde, também esteve comigo meu discípulo Matheus Alves, que havia chegado a São Paulo enquanto estávamos na Liberdade. Matheus se aprontou e chegou basicamente junto conosco na residência do Lucas, de onde fomos a pé até o Instituto novamente.
Matheus começou a praticar há nove anos, e Lucas, há dezessete, quando ainda era criança. Andar com ambos até o Instituto foi um momento muito reconfortante, pois gosto muito da paisagem e da ambientação daquelas ruas. Ali acontecia um encontro que, alguns anos atrás, eu não conseguiria imaginar, já que ambos eram o que se pode chamar de "bairristas". Hoje, Lucas já está completamente estabelecido em São Paulo, e Matheus acabou de se mudar também.
Procuro manter a disciplina nas minhas idas a São Paulo, pois, mesmo quando Si Gung não está presente, sempre há trabalho a ser feito. Acredito muito em uma espécie de "mágica", na qual, ao executar uma ação consecutivamente, mesmo sozinho, a cultura se estabelece e acaba misteriosamente atraindo outras pessoas. Estar andando com os dois por aquelas ruas, mesmo que em outro momento parecesse impensável, naquele dia eu sabia que era o resultado de uma cultura que já se estabelecia aos poucos.

Si Gung was in the USA, and I had worked with Lucas on the "Luk Dim Bun Gwan" the previous night and also early that morning at the Moy Yat Institute. Additionally, I had been with Lucas at the Chinese New Year celebration, which takes place annually in the japanese neighbourhood. Finally, I was standing in front of the gate of the location where the New Year celebration of our Grand Clan would take place. In these rich 48 hours, between late morning and late afternoon, my disciple Matheus Alves was also with me, having arrived in São Paulo while we were in Liberdade. Matheus got ready and arrived basically with us at Lucas' residence, from where we walked back to the Institute together.
Matheus started practising nine years ago, and Lucas seventeen, when he was still a child. Walking with both of them to the Institute was a very comforting moment, as I really enjoy the scenery and the atmosphere of those streets. What was happening there was a meeting I could not have imagined a few years ago, as both were what one might call "localists". Today, Lucas is already fully settled in São Paulo, and Matheus has just moved as well.
I make a point of maintaining the discipline of my trips to São Paulo, because even when Si Gung is not present, there is always work to be done. I truly believe in a sort of "magic" where, by repeatedly carrying out an action, even alone, the culture is established and eventually attracts others. Walking with the two of them through those streets, something that at another time would have seemed unthinkable, I knew on that day it was the result of a culture that had already been gradually taking shape.

Posso me lembrar com clareza quando chegamos pela primeira vez com Si Gung no Instituto Moy Yat. Ele foi pessoalmente até a mesa ancestral, em um processo muito formal, para trocar o chá e depois começou a prepará-lo. Também pegou a caixa de fósforos ao perceber que haviam palitos queimados dentro, sentou-se na área de convivência e começou a separar os queimados dos que ainda funcionavam. Ele não nos pediu nada, não nos mandou fazer nada, e simplesmente nos deixou, eu e meus discípulos presentes, observá-lo em silêncio enquanto realizava aquele procedimento, que levou alguns minutos. Como uma grande coincidência, a primeira aula do dia havia sido postergada, e ele pôde, com ainda mais paciência, continuar o processo de separar os fósforos. Nada começaria sem que ele deixasse tudo em ordem, e, mesmo quando nos levantamos e fomos até a mesa novamente, ele compartilhou um pouco sobre cada item e sugeriu algumas possibilidades em relação ao manejo do incenso. Todos nós prestávamos atenção em silêncio. Para mim, aquilo tudo era muito novo. Eu estava tenso, esperando o momento de tomar a frente e fazer no lugar dele, seja arrumando os fósforos ou preparando o chá, mas sentado ali, observando Lucas compartilhar as mesmas coisas com Matheus dois anos depois, foi algo bem especial. Com isso, pude ver o resultado da ação de Si Gung naquela silenciosa manhã, preferindo nos deixar vê-lo fazer a dar um comando. Grande momento.

I clearly remember when we first arrived with Si Gung at the Moy Yat Institute. He personally went to the ancestral table in a very formal process, to change the tea and then began preparing it. He also picked up the matchbox upon noticing that there were burnt matches inside, sat in the communal area, and began separating the burnt ones from the ones that still worked. He didn't ask us for anything, he didn't instruct us to do anything, and simply allowed us, myself and my disciples present, to watch him in silence as he carried out that procedure, which took a few minutes. As a great coincidence, the first lesson of the day had been postponed, and he was able, with even more patience, to continue the process of separating the matches. Nothing would begin until he had everything in order, and even when we stood up and returned to the table, he shared a bit about each item and suggested some possibilities regarding the handling of the incense. We all paid attention in silence. For me, it was all very new. I was tense, waiting for the moment to step forward and take his place, whether it was arranging the matches or preparing the tea, but sitting there, watching Lucas share the same things with Matheus two years later, was quite special. Through this, I was able to witness the result of Si Gung's actions that quiet morning, preferring to let us watch him do it rather than giving a command. A great moment.


Um ano atrás, um irmão Kung Fu sentado comigo à mesa me indagou sobre a razão de eu estar me dedicando aos MPA’s com Si Gung em São Paulo. Eu havia descrito, tão empolgado, um estudo do Nível 6 do Programa Ving Tsun Experience, que, quando percebi, ele me olhava intrigado. Sentado ali, vendo Lucas e Matheus um ano depois estudando o Muk Yan Jong, esta história me ocorreu. Eu havia convidado Matheus a reiniciar seu acesso ao Domínio Mui Fa Jong desde o início, mesmo ele já tendo estudado esse Domínio nos últimos dois anos. Matheus aceitou prontamente. Eu sabia que poderia fazer um trabalho bem melhor do que o que havia feito antes, depois do reestudo que venho empreendendo com Si Gung. É difícil de explicar, mas posso dizer que não tem preço ter uma compreensão clara, fazendo uso do Programa de Salvaguarda, sobre como promover o acesso ao Domínio, considerando em qual fase ou modalidade ele está inserido dentro do Sistema. Eu pensei nesse momento, tendo em vista a presença do Lucas, a ambientação do Instituto, o novo momento de Matheus e muito mais... Foi bonito de ver. E, como sempre, foi também possível perceber como o estudo do Programa Ving Tsun Experience teria ajudado ainda mais Lucas e Matheus, descartando qualquer necessidade de compensar uma falta de entendimento pregresso, sem desrespeitar a natureza do Domínio.

A year ago, a Kung Fu brother sitting with me at the table asked me why I was dedicating myself to the classes with Si Gung in São Paulo. I had described, so enthusiastically, a study from Level 6 of the Ving Tsun Experience Programme, that when I realised it, he was looking at me, intrigued. Sitting there, seeing Lucas and Matheus studying the Muk Yan Jong a year later, this story came to mind. I had invited Matheus to restart his access to the Mui Fa Jong Domain from the beginning, even though he had already studied this Domain over the past two years. Matheus readily accepted. I knew I could do a much better job than I had before, after the re-study I’ve been undertaking with Si Gung. It's hard to explain, but I can say that it is priceless to have a clear understanding, using the Safeguarding Programme, of how to promote access to the Domain, considering which phase or modality it is within the System. I thought about this moment, considering Lucas' presence, the atmosphere of the Institute, Matheus' new stage, and much more... It was beautiful to see. And, as always, it was also possible to realise how much the study of the Ving Tsun Experience Programme would have helped Lucas and Matheus even more, dismissing any need to compensate for a previous lack of understanding, without disrespecting the nature of the Domain.

Por mais que estivesse emendando uma atividade na outra, não estava nem um pouco cansado. Estava fazendo o que gosto. E fazia não só por isso, mas para proporcionar experiências potencialmente significativas para meus discípulos, e essa intenção faz com que o foco na outra pessoa impeça que minha energia se exaure. Tudo isso acaba sendo resultado da convivência com Si Gung e do aprendizado a partir de sua intensa e dedicada rotina. Entendi que aquele padrão de dedicação nunca mais poderia ser ignorado por mim; enquanto estivesse fazendo algo abaixo desse padrão, sempre saberia que poderia oferecer mais aos meus discípulos. Porém, percebi que minha rotina diária, na qual preciso dividir minha atenção com outras demandas, acaba me prejudicando, pois ali, em São Paulo, totalmente dedicado por 48 horas, as coisas estavam fluindo de forma mágica. Fizemos um excelente pós-evento enquanto tomávamos café em nossa padaria favorita, antes de nos prepararmos para a celebração do Ano Novo Chinês no Grande Clã Moy Yat Sang. Então, é muito recompensador ver tantos resultados em tão pouco tempo. O trabalho duro compensa.

Although I was moving from one activity to another, I wasn’t tired at all. I was doing what I love. And I did it not only for that reason but to provide potentially meaningful experiences for my disciples, and this intention means that focusing on the other person prevents my energy from being drained. All of this is a result of living with Si Gung and learning from his intense and dedicated routine. I realised that I could never ignore that level of dedication again; as long as I was performing below that standard, I would always know I could be offering more to my disciples. However, I also noticed that my daily routine, in which I have to divide my attention between other demands, ends up hindering me, as there in São Paulo, fully dedicated for 48 hours, things were flowing magically. We had an excellent post-event while having coffee at our favourite bakery, before preparing for the Chinese New Year celebration at the Grand Clan Moy Yat Sang. So, it’s incredibly rewarding to see so many results in such a short time. Hard work pays off.



A DISCIPLE OF MASTER JULIO CAMACHO
Master Thiago Pereira
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